sexta-feira, 16 de abril de 2010

HISTORIAS DE ACAMPAMENTO


Cinco amigos em volta de uma fogueira no acampamento Juventude. Três meninos e duas meninas. Um dos meninos, o único que já fora no acampamento, vai contar algo que acontecera por ali há dezessete anos. Os outros dão risadas e dizem que esse tipo de coisa só existe para deixar os novatos com medo. Todos os outros adolescentes já estavam no dormitório e eles decidiram ir para a orla da floresta para conversar e fumar maconha. Isso era bem comum entre os jovens dali. Depois de alguns baseados o veterano começou a contar a história.

***

‘Há dezessete anos três meninos estavam no dormitório. Eu não sei bem o nome deles. Nunca me disseram. Vou contar exatamente o que me falaram quando eu vim aqui pela primeira vez.

Há uma lenda que algo estranho já caiu do céu há muito tempo atrás aqui na floresta. Eu nunca fui para dentro dela. Mas diz-se que bem no meio da mata tem um descampado de uns 20m de diâmetro. Um lugar que não tem árvore alguma. Porém, nesse lugar nasceu uma flor preta que dizem ter poder de trazer muita sorte. Eu nunca vi, mas não desacredito totalmente.

Esses três meninos estavam brincando de verdade ou desafio durante a noite, quando todos estavam dormindo. O menino alto era o veterano. Havia também os dois amigos que vieram pela primeira vez no acampamento eram o menino gordo e o menino negro.

Os amigos chegaram e ficaram conversando no quarto, brincando de fazer pequenos desafios um com o outro. O menino alto não estava participando da brincadeira no início, mas chegou mais perto e perguntou o nome dos outros dois. Eles se apresentaram e começaram a brincar juntos.

Os desafios eram do tipo: beber quatro copos de água, segurar a respiração por 30s, fazer flexões e coisas do tipo. Tudo já estava ficando sem graça quando o menino alto perguntou se eles teriam coragem de ir até a floresta para pegar uma flor negra. Os amigos ouviram alguém comentar que as flores negras eram apenas lenda e que ninguém havia visto uma em 50 anos de acampamento. Sabiam também que não era permitido entrar na floresta. Isso, porém, não foi o suficiente. O menino alto disse que eles estavam com medo e por isso que não iam até a floresta.
Os dois se sentiram ofendidos, vocês sabem como são os pirralhos, não gostam que sua coragem seja colocada a prova. Decidiram ir, mas disseram que o grandão deveria ir com eles.

Os três vieram exatamente no ponto em que estamos e ficaram parados aqui pensando pela ultima vez se entrariam na floresta ou não. Depois de alguns minutos entraram. A mata aqui é muito espessa e é muito difícil ver algo. Nem a luz da lua é possível ver depois que se entra aqui.
Eles estavam equipados apenas com duas lanternas, uma revista e estilete multiuso. Começaram a andar vagarosamente pela floresta jogando pedaços de papel no chão para saberem o caminho de volta. Todos ficaram em silêncio ouvindo apenas os barulhos no meio do mato e das árvores altas. Grilos e moscas reinavam no lugar. E eles iam pisando com muito cuidado para não fazer muito barulho.

Em certo ponto ouviram barulho de galhos estalando, como se alguém tivesse pisado. Os três olharam para os lados para ver se havia alguém os seguindo. Apontaram as lanternas, mas não viram nada. Apenas o verde mórbido do matagal. Olharam para trás e certificaram-se que os pedaços de papel estavam todos lá. Isso os fez sentir um pouco mais aliviados. Mais alguns passos e mais uma vez escutaram o farfalhar de mato pisado. Pararam.

“Tem alguém ai?” Gritou o menino gordo.

Nenhuma resposta.

Todos estavam de olhos arregalados. Até o menino alto que por hora não parecia ter medo. O menino negro perguntou para o mais alto.


“Você já veio aqui antes?”

“Não.” Respondeu de prontidão o menino alto. “Mas já penso em voltar.”
Nessa hora eles notaram algo inesperado. Quando o menino alto falou em voltar todos olharam para o chão atrás deles. E nada de pedaços de papel. Eles estavam perdidos.

“O que vamos fazer agora?” o menino gordo perguntou desesperado.

“Não sei” respondeu o menino negro. “Vamos tentar achar o nosso caminho de volta.”

Os outros dois assentiram com a cabeça. Eles começaram a andar em uma linha reta. Supostamente a mesma linha que fizeram para chegar ao local. O menino alto parou subitamente.

“Por que não tentamos achar a flor já que estamos aqui?” Falou o menino alto.

“Porque não vamos conseguir voltar depois.” Falou o menino gordo com um pouco de desespero em sua voz.

“Vamos!” insistiu o menino alto.

O menino negro parou e concordou.

“Vamos. Não há nada de mais. E essa floresta nem é tão grande assim. Nós podemos continuar e sair pelo outro lado que vai dar na estrada. É até mais fácil do que tentar o caminho de volta.”

O menino gordo acabou aceitando e voltaram ao caminho anterior. Enquanto voltavam ouviram o barulho de galho estalando mais uma vez. Pararam e apontaram as lanternas novamente. Até parecia que alguém estava seguindo os passos deles. Eles ficaram virando as lanternas para todos os lados. Apenas os dois amigos tinham lanternas. O menino gordo apontou para um canto mais longínquo e viu uma sombra se mover.

“Olha ali!” gritou e o outro menino logo virou a sua lanterna para o mesmo lugar.

“O que foi?” falou o menino negro.

“Eu vi algo se movendo.” O menino gordo disse e continuou procurando com a lanterna. “Eu juro que vi alguma coisa ali. E está nos seguindo.”

O menino alto foi andando naquela direção.

“Não vai por ai.” Pediu o menino gordo. O alto olhou com desdém e continuou.

“Está vendo. Não tem nada aqui.”

Ficaram em silêncio por mais algum tempo e continuaram a jornada. Agora as coisas estavam muito estranhas. Todas as árvores que eles passavam faziam um leve barulho de deslizamento. Parecia até que elas estavam abrindo caminho para eles. Eles começaram a seguir.

Do nada eles ouviram um grande grito. Um daqueles pássaros que gritam. Os três pularam em seus lugares, mas nada disseram. Só continuaram em frente. Andando mais além encontraram um brejo. Um local descampado, do tamanho de uma quadra de futebol. A luz da lua iluminando todo o local. Havia uma água escura no local. Não dava para saber se era fundo ou raso. A água estava totalmente parada e parecia ser densa demais para um laguinho. No meio do lago escuro estava algo. Uma flor. Muito bonita e aberta. Mais ou menos do tamanho da palma da mão de um adulto. Uma flor preta. Caída na água. Eles olharam para as árvores que estavam em volta e nenhuma apresentava flores daquele tipo. Aliás. Nenhuma das árvores apresentava flor alguma. O menino alto olhou para os outros dois.

“Não disse que a flor preta existia.”

Os outros dois olhavam tudo aquilo atônitos. Sem conseguir expressar o que sentiam, seja lá o que fosse.

“Quem vai pegar?” perguntou o maior. “vamos tirar na sorte?”

“Eu não vou nem ferrando.” Falou o menino gordo.

“Nem eu.” Falou o menino negro.

“Vamos lá!” continuou o menino maior. “Vocês estão com medo de novo” ele se abaixou na margem do lago e pegou um galho quebrado que estava jogado e o molhou no lago. A água que pingou do galho quando ele levantou era algo quase impossível, inexplicável. Algo preto e gelatinoso pingava do galho.

O menino negro e o menino gordo fizeram caretas de nojo juntos.

“Sem chance de eu entrar para pegar algo nesse lago.” Falou o menino gordo. “Olha só para essa água.”

O menino alto passou o dedo indicador na parte molhada do galho. Esfregou o polegar com o indicador. O líquido viscoso transformou-se em uma pequena bolinha preta de tão grosso.

“Olha, Eu acho uma boa idéia nós irmos embora” falou o menino negro.

“Agora que chegamos aqui.” O menino maior disse. “Ninguém vai acreditar na gente se não levarmos aquela flor.

“Isso se a gente conseguir voltar” emendou o menino gordo.
Nesse momento ouviram mais uma vez barulhos atrás deles. Os três se viraram para o lado das árvores. Não havia ninguém lá. As luzes das duas lanternas vasculhavam todos os lugares em busca da coisa que fez barulho.

“Acho que é só algum animal que vive aqui na floresta.” O menino alto disse.

“O estranho é que não vimos nenhum animal aqui na floresta.” Disse o menino negro. O menino gordo estava em choque. Balançava para frete e para trás. Lágrimas corriam por seu rosto vermelho e bochechudo.

“Eu sabia que não deveríamos ter vindo para cá. O instrutor disse de manhã que era expressamente proibido entrar na floresta.” O menino gordo choramingou.

Ele olhou para baixo e o que aconteceu demorou apenas segundos. Alguma coisa pulou do meio do mato e empurrou o menino alto que caiu na água e começou a afundar como se fosse areia movediça. O menino alto já estava dentro da água até o peito.

O menino negro correu para ajudar o outro e estendeu a mão. O menino alto nessa hora deu um sorriso maléfico. O menino gordo teve arrepios na hora. O menino alto segurou forte a mão do menino negro e puxou com força caindo os dois na água.

O menino gordo não hesitou e saiu correndo para fugir daquele lugar, deixando o menino negro para trás. Ele corria no meio do mato sem conseguir achar seu caminho. As árvores deslizavam em sua frente, tampando seu caminho. Quanto mais ele corria mais difícil ficava, pois as árvores pareciam que não queriam deixar-lo ir embora da floresta. Ele mudava de rumo a cada dez metro que ele corria. Ele ouvia que algo vinha perseguindo-o por trás, mas ele não ousou olhar nenhuma vez para saber o que era. Correu desvairadamente até que, por sorte, achou um pedaço de papel. Os pedaços que jogaram assim que entraram na floresta. Foi seguindo cada um. Mas uma árvore se moveu e entrou na frente do caminho que ele estava seguindo. Ele seguiu para a esquerda, mas decorou o percurso que os papéis estavam fazendo. Usou o senso de direção para saber qual era o caminho de saída da floresta. Tudo estava mais escuro. Ele não conseguia ver nada além da luz de sua lanterna.

Finalmente ele conseguiu chegar de volta bem nesse lugar que estamos sentados. Voltou ao dormitório, entrou e bateu a porta. Ficou encostado na porta arfando forte. O peito subia e decia rapidamente. As camas todas eram no fundo do dormitório, então ninguém o viu chegando. Ficou parado na porta por uns 10 minutos repassando mentalmente tudo o que aconteceu no meio da floresta. Começou a se acalmar. Tinha que avisar o instrutor chefe sobre o que se passara. Mas não queria sair daquele quarto tão cedo.

Quando ele estava indo em direção as camas ele ouviu um toc toc na porta. O desespero voltou e ele não sabia se corria para a cama e cobria a cabeça ou se abria a porta para saber quem era. Ele não conseguia acreditar que os dois meninos ficaram para trás e ele escapara.

Mais uma vez: toc toc.

Ele andou lentamente para a porta. Colocou a mão na maçaneta e ponderou se ele abriria ou não.

Toc toc.

Ele abriu lentamente e viu o impossível.

O menino negro estava parado com o braço estendido. A pele estava acinzentada, a roupa toda suja. Os olhos eram o que mais assustava. Os olhos estavam pretos por completo sem nada do branco usual. A boca se abriu em um sorriso. A água escura sujava os dentes deixando-os pretos também e com aquela água gelatinosa fazendo linhas de baba negra entre os lábios superiores e inferiores que se abriram na hora do sorriso infernal. Na mão estava ela. A flor. Parecia de veludo e era muito grande.
Os olhos do menino gordo se arregalaram no instante que o menino negro se derreteu. Todo seu corpo virou o líquido do lago e se espatifou no chão como se fosse um boneco feito de cera jogado em um forno muito quente. As roupas ficaram no chão junto com a flor e o líquido foi absorvido pela grama na porta do dormitório. O menino gordo caiu no chão e desmaiou.

Isso é tudo o que se sabe daquela noite fatídica em que o menino gordo, cujo nome nunca fora revelado, voltou da floresta. Esta floresta que está aqui do nosso lado. Alguns dizem que na verdade ele que matou o menino negro e ficou louco. Dizem que ele está em um manicômio até hoje. A parte mais estranha é que a descrição que ele deu do menino alto não combinava com ninguém jamais visto no acampamento. Todas as camas estavam ocupadas e esse menino parece que surgiu do nada. E voltou para o nada também. ’


***

Os outros em volta da fogueira ficaram calados por um tempo. A menina foi quem disse primeiro.

“Eu não acredito.”

“Eu sei” continuou o contador da história. “Não estou pedindo para acreditar. Estou apenas contando a história que me contaram. O fato é, entraram na floresta no outro dia e nunca ninguém encontrou, nem o lago e nem o menino negro. A lenda é que sempre que alguém entra na floresta e encontra essa flor preta, nunca mais sairá de lá. O menino gordo parece que foi a única exceção.

Os amigos decidiram que iam dormir. Assim que levantaram um vento forte arfou apagando a fogueira e uma flor negra foi caindo lentamente no bico da floresta sob a luz do luar apenas. Eles se entreolharam e entraram na ponta da floresta para pegar aquela flor.


Nunca mais foram vistos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

UM HOMEM NO BAR

Áudio de um gravador encontrado na cena do crime pela polícia no dia 04/11/2006.

**

– Assim que cheguei à casa pude ver o quanto eu tinha perdido e ganhado em apenas um dia. As fotos dela fulguravam na parede da casa e o seu cheiro, impregnado na cama, ainda me incomodava. O meu melhor simplesmente não foi o suficiente para que ela pudesse escolher ficar comigo. Não sou culpado. Não sou inocente. Não sei o que sou. O que sei é que o que eu acabei de fazer vai mudar a minha vida. Vai mudar a vida dela e vai mudar a vida de muitos outros.

“O gravador continua ligado. E vou tomar um banho. Quero lavar a impureza do meu segredo mais ultrajante e me preparar assim para acertar os erros dela, que me fizeram tomar a decisão mais acertada de minha insignificante vida.”

“A musica que eu quero escolher para esse momento tem que ser especial. E eu vou de Radiohead, Creep. Sinto-me totalmente rastejante. Não consegui no tempo de uma vida inteira fazer parte de nenhum grupo. Todos sempre me acharam estranho “

“Essa é a minha vida do jeito mais cruel que eu consigo explicar para quem quer que esteja ouvindo essa fita.”

“Fui assim durante a maior parte de minha existência. Até que um dia eu a conheci. Eu entrava mais um dia no Revolution Bar no centro da cidade. Era como um ritual para mim. Minha vida era regrada. Nunca precisei de dinheiro, portanto, escrevia alguma coisa durante o dia, almoçava sozinho, voltava para casa e lia qualquer coisa que me chamasse atenção. De noite eu descia até o Revolution, sentava-me no balcão, e bebia e fumava até a cabeça doer. Assim foi durante pelo menos dois anos até que um dia ela veio sentar-se ao meu lado. Lembro do seu cabelo loiro balançando por sobre os ombros largos. De alguma forma desconexa e não planejada ela me achou charmoso e interessante. Nunca fui o tipo conversador e nem conquistador, por isso fiquei muito inseguro, ainda assim, contente diante daquela situação.”

“Tudo o que sei é que após dois meses minha vida estava de cabeça para baixo. Ela me visitava todos os dias. Não existia mais uma rotina certa. Ela sempre tinha uma surpresa para mim. O sexo que fazíamos é indescritível. Louco, violento, sangrento e extremamente prazeroso. Sempre com um algo a mais para apimentar nosso conturbado relacionamento.”

“Ela simplesmente adorava tudo o que eu escrevia e sempre me dizia que eu era um mistério a ser descoberto. Eu, na minha inocência, acreditei em cada palavra dita no meu ouvido. Assim, eu percebi que eu não vivia mais a minha vida. Vivia qualquer coisa que fosse relacionado a ela. A senhora da minha amargura. A deusa do meu sofrimento. A salvadora do meu martírio.”

“Em pouco tempo, já não queria mais me afastar dela. A possessão assim começou. Ela começou a passar tempos longe de mim. Eu não tinha como falar com ela. Eu nunca soube, até hoje, onde ela morava. A única maneira de falar com ela era pelo celular, que por vezes encontrava-se desligado.”

“Eu não conseguia aguentar a insegurança que crescia perigosamente dentro do meu coração. Para poder aliviar, a única coisa que afastava minha cabeça doentia do pensamento dela longe de mim era a autoflagelação. Qualquer coisa servia na minha busca de calma. Murros na parede, pedaços de vidro apertados na palma da mão, cabeçadas no chão e muitas outras coisas que me ajudavam aliviar a pressão do momento.”

“Minhas atitudes afastaram-na de mim. Eu sei e aceito isso. Mesmo assim eu apenas sei que ela não existe sem mim. E eu não consigo existir sem ela.”

“Ela sempre teve a mania de remediar os nossos problemas com o sexo brutal, como forma de punição. Eu aprendi a gostar da dor e aprendi a gostar de infligir dor. Ela sempre aparentou gostar de minha força e dos meus modos. Principalmente na cama.”

“Mas nos últimos tempos eu percebi que o quadro mudara. Ela sentia medo de mim. E esse medo dela me fortalecia. Eu gostava de vê-la gritar de dor. Lembro de um dia em que ela até desmaiou. E quando acordou foi embora correndo. Eu a deixei ir porque ela sempre voltava. E de alguma maneira maluca ela sempre nos levava de volta ao sadomasoquismo.”

“Hoje de manhã ela partiu. Saindo me disse que nunca mais ia me procurar. Ela estava linda. A cabeleira loira desgrenhada jogada por cima dos olhos, roxos das pancadas, e manca devido a força especial que dediquei a ela durante o nosso ultimo ato. Eu sei que ela gostou. Ela não reclamou e nem chorou. Eu senti ela gozar múltiplas vezes. Por isso não entendi o que ela queria dizer quando falou que eu não a veria de novo.”

“Levantei-me e a segui. Vi que ela entrara num ônibus que seguia para a zona sul. Para minha sorte um taxi estava logo atrás do coletivo. Entrei no taxi e pedi para seguir o ônibus. Depois de quinze minutos ela desceu. Ela andou por volta de 400m e chegou a sua casa. Desci do taxi e esperei que ela entrasse. Passei a tarde inteira sentado em um bar que ficava próximo ao lugar onde ela entrara. Queria ter certeza de que ela não esperava ninguém. Ninguém chegou. Portanto eu sabia que ela não tinha me trocado por ninguém.”

“A casa era humilde. Térrea. Aparentemente com apenas um dormitório. Levantei da minha mesa no bar e fui até a janela da casa dela. Parecia vazia. Mas eu sabia que ela se encontrava dentro do aposento. Não existia saída pelos fundos e ela definitivamente não saíra pela porta da frente.”

“Acho que esse banho já demorou demais. Vou sair e me enxugar para poder ver melhor tudo o que eu fiz desde que entrei nessa casa. Ela está me esperando quieta na cama. Ela não vai reclamar de nada. Nossa conversa foi muito esclarecedora e acho q finalmente ela consegue entender o meu ponto de vista.”

“Estou entrando no quarto onde ela está descansando. Provavelmente cansada de tudo o que passamos juntos nessa noite tão bonita. Ela já não grita mais. Está calma, serena. Ela esta deitada de bruços. Só de olhar o seu corpo nu eu fico excitado. Com vontade de fazer mais amor com ela. Amor do nosso jeito peculiar.”

“Você está pronta, baby?”

“Não quer responder?”

“Tudo bem. Sempre ouvi um velho ditado que diz: Quem cala, consente.”

“Você não se importa de eu gravar em áudio o nosso pequeno segredo?”

“Tudo bem. Ajeite-se melhor.”

“Isso. Eu gosto quando você fica calada. Consegue sentir eu entrando em você com força?”

“Responda!”

“Ok. Você está pedindo por isso.”

“Consegue ver essa faca?”

“Não? Então sinta.”

“Urhg”

“Sinta eu perfurando suas costas. Eu sei que você gosta de sentir dor enquanto eu te penetro com força.”

“Agora vem aqui. Deixe-me virar você de frente.”

“Eu não acredito que você não agüentou! Você está morta!”

“Não tem problema. Eu quero continuar o que estou fazendo. Eu sei que você não estava fingindo antes.”

“É uma pena que o seu rosto tão bonito está, agora, tão desfigurado. Mesmo assim você continua linda aos meus olhos. Você ainda me excita.”

“Levanta essa perna. Deixe-me mudar de posição!”

“Isso, baby. Eu não vou parar. Eu sei que você está gostando.”

“Eu vou gozar. Isso. Isso!”

“Ahhhh”

“Eu sabia que você ia conseguir. Vem aqui. Deixa eu te dar um ultimo beijo.”

“Agora que eu já me diverti eu vou embora. Acho que vou precisar de outro banho. Espero que você também tenha se divertido. Essa gravação vai ser muito interessante de ouvir depois. Deixa eu te dar outro beijo antes do banho.”

“Você vai ser o meu segredo mais prazeroso. Agora e sempre. É uma pena que você nunca me dissera o seu nome verdadeiro. Tudo o que eu quero é agradecer por me ajudar a encontrar o meu verdadeiro eu. De agora em diante eu vou fazer isso com muito mais freqüência. O meu nome é...”